IFRS S1 e IFRS S2: um guia sobre normas de sustentabilidade

16/02/2026
• Atualizado em 13/02/2026
Uma mulher em pé palestrando.
Adotar as IFRS S1 e S2 garante mais clareza e comparabilidade nos relatórios

 

As IFRS S1 e IFRS S2 são normas internacionais criadas para organizar, padronizar e dar mais consistência à divulgação de informações sobre sustentabilidade pelas empresas. 

Na prática, elas ajudam o mercado a compreender como temas ambientais, sociais e de governança influenciam resultados financeiros, estratégias e riscos de longo prazo.

Com a agenda ESG cada vez mais presente nas decisões de investidores, reguladores e conselhos, essas normas surgem como um novo marco para relatórios de sustentabilidade.

Mais do que uma exigência técnica, elas representam uma mudança na forma como as empresas comunicam valor, riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade.

O que são as normas IFRS S1 e IFRS S2?

As IFRS S1 e S2 foram desenvolvidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), órgão ligado à Fundação IFRS, com o objetivo de criar um padrão global para divulgação de informações de sustentabilidade.

A proposta é simples: oferecer um modelo claro, comparável e confiável para que empresas relatem como questões de sustentabilidade afetam seu desempenho financeiro e sua estratégia.

A IFRS S1 trata dos requisitos gerais de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade. Já a IFRS S2 tem foco específico nos riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas.

Por que as IFRS S1 e S2 são importantes para as empresas?

Antes dessas normas, os relatórios de sustentabilidade eram, muitas vezes, fragmentados, difíceis de comparar e pouco conectados às informações financeiras. As IFRS S1 e S2 surgem para resolver esse desafio.

Elas fortalecem a transparência, facilitam a comparação entre empresas e aumentam a confiança de investidores, financiadores e outros públicos estratégicos. Além disso, ajudam as organizações a integrar sustentabilidade à tomada de decisão, deixando esse tema menos isolado e mais conectado ao negócio.

Qual é a diferença entre IFRS S1 e IFRS S2?

Apesar de complementares, cada norma tem um foco específico. Acompanhe as diferenças abaixo.

O que a IFRS S1 exige?

A IFRS S1 estabelece a base geral para a divulgação de informações de sustentabilidade. Ela exige que as empresas expliquem como temas ambientais, sociais e de governança impactam sua posição financeira, seu desempenho e suas perspectivas futuras.

Entre os principais pontos estão:

  • identificação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade;
  • conexão dessas informações com as demonstrações financeiras;
  • clareza sobre como a empresa integra sustentabilidade à estratégia e à governança.

O que a IFRS S2 exige?

A IFRS S2 aprofunda o olhar sobre mudanças climáticas. O foco está em como os riscos físicos e de transição afetam o negócio, além das oportunidades relacionadas à adaptação e à mitigação climática.

A norma solicita informações sobre:

  • governança climática;
  • estratégia diante de cenários climáticos;
  • gestão de riscos relacionados ao clima;
  • métricas e metas adotadas pela organização.

Quais empresas precisam se adaptar às IFRS S1 e S2?

A adoção das normas impacta diferentes tipos de organizações, ainda que em níveis distintos.

Empresas listadas e exigências regulatórias

Empresas listadas em bolsa tendem a ser as primeiras a sentir os efeitos das IFRS S1 e S2, especialmente por exigências de reguladores e do mercado financeiro. No Brasil, as normas passaram a ser obrigatórias a partir de 2026, com os primeiros relatórios sendo divulgados em 2027, o que tem levado muitas empresas a estruturar processos e dados para atender às novas exigências. 

Impactos para empresas de capital fechado

Mesmo empresas de capital fechado podem ser impactadas, embora a adoção das normas não seja obrigatória para elas. Isso porque bancos, fundos e investidores já começam a exigir informações alinhadas às IFRS S1 e S2 como critério para concessão de crédito ou investimentos.

Cadeias de valor e exigência de investidores

Empresas que fazem parte de cadeias de valor de grandes organizações também sentem essa exigência. Fornecedores e parceiros passam a ser solicitados a fornecer dados de sustentabilidade mais estruturados, alinhados às novas normas.

Principais requisitos das IFRS S1 e S2

As duas normas seguem uma lógica comum, organizada em quatro pilares principais.

Governança

As empresas devem explicar como a liderança e os conselhos acompanham temas de sustentabilidade e clima. Isso inclui responsabilidades, processos de supervisão e integração desses temas à tomada de decisão.

Estratégia

Aqui, o foco está em como os riscos e oportunidades de sustentabilidade influenciam a estratégia da empresa no curto, médio e longo prazo. Também entram análises de resiliência do modelo de negócio diante de diferentes cenários.

Gestão de riscos

As normas exigem que as empresas detalhem como identificam, avaliam e gerenciam riscos relacionados à sustentabilidade e ao clima, além de como esses processos se conectam à gestão de riscos corporativos.

Métricas e metas

Por fim, é necessário apresentar indicadores, metas e resultados que ajudem a acompanhar o desempenho da empresa em relação aos temas divulgados, sempre com consistência e comparabilidade.

Relação das IFRS S1 e S2 com ESG e outras normas

As IFRS S1 e S2 estabelecem um padrão para a divulgação de informações de sustentabilidade, organizando e dando maior consistência a práticas já utilizadas pelas empresas. 

Integração com ESG

As normas reforçam o pilar de governança e conectam os temas ambientais e sociais à performance financeira. Isso contribui para uma abordagem mais madura e integrada do ESG.

Conexão com TCFD, SASB e GRI

As IFRS S1 e S2 dialogam com frameworks já conhecidos, como TCFD, SASB e GRI. A ideia é reduzir a sobreposição de relatórios e facilitar a harmonização das informações divulgadas.

Harmonização dos relatórios de sustentabilidade

Com padrões mais claros, as empresas conseguem produzir relatórios mais consistentes, comparáveis e úteis para o mercado, evitando excessos de informações pouco relevantes.

Quais são os benefícios da adoção das IFRS S1 e S2?

A adoção dessas normas vai além da conformidade. Acompanhe abaixo os principais benefícios!

Transparência e confiança do mercado

Relatórios mais claros fortalecem a credibilidade da empresa e melhoram o relacionamento com investidores, clientes e parceiros.

Acesso a investimentos e capital

Empresas alinhadas às IFRS S1 e S2 tendem a ter mais facilidade no acesso a capital, especialmente em linhas voltadas à sustentabilidade e finanças responsáveis.

Melhoria da gestão de riscos

Ao estruturar informações sobre sustentabilidade e clima, a empresa passa a compreender melhor seus próprios riscos e oportunidades, fortalecendo sua estratégia de longo prazo.

Como iniciar a implementação das IFRS S1 e S2?

Implementar as IFRS S1 e S2 não envolve apenas preparar relatórios, mas também organizar processos e informações. De modo geral, a implementação pode ser conduzida em etapas estruturadas:

Diagnóstico e análise de lacunas (gap analysis)

Mapeamento da situação atual da empresa em relação aos requisitos das normas, identificando dados já disponíveis, processos existentes e pontos que ainda precisam ser desenvolvidos.

Avaliação de materialidade

Identificação dos temas de sustentabilidade mais relevantes para o negócio, considerando quais impactos podem se traduzir em riscos ou oportunidades financeiras e, portanto, precisam ser divulgados.

Análise de riscos climáticos

Levantamento e avaliação de riscos físicos e de transição relacionados ao clima, bem como das oportunidades associadas, em linha com os requisitos da IFRS S2.

Governança e controles

Estruturação de processos, responsabilidades e controles internos para garantir a qualidade das informações, a rastreabilidade dos dados e a consistência dos relatórios ao longo do tempo.

Exemplo de relatório em conformidade com as normas IFRS S1 e S2

Mesmo antes da obrigatoriedade regulatória, algumas empresas já começaram a adotar as normas IFRS S1 e S2 de forma antecipada. A Lojas Renner S.A., por exemplo, publicou em 2024 um relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade em conformidade com as normas, antecipando-se às exigências que passaram a valer posteriormente.

Esse tipo de adoção antecipada permite que as empresas ganhem experiência na coleta e organização de dados, ajustem processos internos e se preparem com mais segurança para as exigências regulatórias. 

Acesse o relatório completo da Lojas Renner e confira um exemplo real de divulgação em conformidade com as IFRS S1 e S2.

Agora que você já entende o que são as IFRS S1 e S2 e por que elas são importantes, descubra neste conteúdo: “Quais são as certificações ESG mais importantes para empresas?”.

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