Matriz de materialidade: o que é, para que serve, como fazer e inserir na estratégia ESG

18/05/2026
• Atualizado em 15/05/2026
Três pessoas sorrindo posam em ambiente interno; duas delas seguram ecobags brancas com logotipos, durante um evento ou encontro corporativo.
A matriz de materialidade orienta decisões mais alinhadas ao negócio e aos stakeholders.

A matriz de materialidade é uma das ferramentas mais importantes dentro da estratégia de ESG. Ela ajuda empresas a identificar quais temas são mais relevantes tanto para o negócio quanto para seus stakeholders, como investidores, clientes e colaboradores. 

A partir dessa análise, as organizações conseguem compreender quais questões têm maior impacto sobre seus resultados, sua reputação e suas decisões estratégicas, permitindo direcionar esforços para os temas que realmente geram valor para o negócio e para a sociedade.

Hoje, a análise de materialidade é um requisito indispensável para relatórios de sustentabilidade de alto padrão. Por isso, entrevistamos Alexandre Sattos, Gerente de ESG da Ancar, para trazer sua experiência sobre o tema e explicar a importância dessa ferramenta para empresas que buscam mais transparência e conexão com seus públicos.

O que é matriz de materialidade? 

A matriz de materialidade é uma ferramenta utilizada pelas empresas para identificar e priorizar os temas mais relevantes para o negócio e para os seus stakeholders (clientes, investidores, colaboradores, sociedade, entre outros). 

Ela costuma ser apresentada em forma de gráfico, no qual os temas são organizados de acordo com sua relevância para a empresa e para as partes interessadas, facilitando a visualização do que realmente merece prioridade.

Segundo Alexandre Sattos, especialista em ESG, os temas mais relevantes variam de acordo com o setor em que a companhia atua e com as demandas dos seus stakeholders. Ao identificar esses temas materiais, a empresa consegue direcionar melhor sua estratégia e tomar decisões mais alinhadas com seus objetivos e impactos.

A seguir, confira um exemplo de matriz de materialidade:

Gráfico de matriz de materialidade com temas ESG distribuídos conforme importância para stakeholders e relevância para o negócio, incluindo ética, direitos humanos, diversidade, projetos sociais, colaboradores, clima, água e energia.
Exemplo de matriz de materialidade

Qual é a importância da matriz de materialidade no ESG?

No contexto de ESG, a matriz de materialidade proporciona uma visão estruturada dos temas sociais, ambientais e de governança mais relevantes para a empresa e para suas partes interessadas.

Ela ajuda as empresas a direcionar seus recursos e esforços para as áreas que realmente geram valor e impacto, aumentando a eficiência na gestão e na tomada de decisões estratégicas.

Além disso, a materialidade em ESG contribui para a transparência, fortalece a comunicação e melhora o relacionamento com os stakeholders, ao demonstrar que a empresa está atenta às questões que realmente importam.

Como fazer uma Matriz de Materialidade ESG (Passo a Passo)

A construção da matriz de materialidade ESG envolve análise estratégica, coleta de dados e validação. A seguir, Alexandre Sattos, especialista da Ancar, destaca as principais etapas desse processo.

Identificação dos temas relevantes

O primeiro passo é levantar os principais temas com base em tendências do setor, benchmarks e práticas de mercado. Segundo Alexandre, existem referências que ajudam nesse mapeamento inicial, como o SASB — metodologia setorial que apresenta temas materiais de ESG por setor. 

Também entram nessa análise relatórios de sustentabilidade, documentos e outros materiais públicos que ajudam a entender o que as empresas reportam como fatores e temas materiais. “Por exemplo, no setor de shopping centers, os temas que a concorrência costuma considerar são: diversidade e inclusão, mudanças climáticas, saúde, bem-estar e segurança, gestão de resíduos e relacionamento com a comunidade”, diz o especialista. 

Depois dessa identificação inicial, começa o processo de entrevistas com os stakeholders para entender quais desses temas são, de fato, prioritários.

Entrevistas com as partes interessadas

Uma etapa essencial na construção da matriz de materialidade é ouvir diferentes stakeholders, como clientes, colaboradores, lideranças, investidores, fornecedores, órgãos públicos e até ONGs. Cada um desses públicos tem uma percepção única sobre o negócio, o que ajuda a ampliar a visão sobre os temas mais relevantes.

De acordo com Alexandre, não existe um número ideal de participantes: o mais importante é garantir uma amostra representativa e relevante para a realidade da empresa e do setor em que ela atua.

As entrevistas podem combinar perguntas quantitativas (padronizadas) e qualitativas (adaptadas para cada público), permitindo não só medir a importância dos temas, mas também entender em profundidade as expectativas e prioridades de cada grupo.

Priorização e construção da matriz

A partir das entrevistas com os stakeholders e das análises de benchmark, começa a etapa de avaliação e priorização dos temas levantados. É nesse momento que as percepções coletadas são organizadas, comparadas e cruzadas com os objetivos estratégicos da empresa. 

“Eu começo a cruzar as percepções e, a partir disso, é gerada uma matriz com pesos, considerando diferentes eixos de análise. Assim, consigo avaliar quais temas têm maior relevância para os stakeholders e maior impacto para o negócio”, explica Alexandre. 

A partir dessa visualização, fica mais claro quais assuntos devem receber maior atenção na estratégia ESG e quais devem orientar os próximos passos da organização. 

Confira abaixo os temas materiais da Ancar:

Lista visual dos temas materiais da Ancar, incluindo diversidade, gestão de resíduos, atração e retenção de colaboradores, transparência, mudanças climáticas, saúde e segurança, qualidade do serviço, relacionamento com comunidades, ética, eficiência energética e gestão de água.
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Temas materiais da Ancar

Validação da matriz 

Depois de estruturada a matriz de materialidade, o resultado precisa passar por uma etapa de validação interna. Esse processo geralmente envolve o conselho, comitês ou outras estruturas de governança da companhia responsáveis por temas como ESG, riscos e estratégia. 

Essa validação ajuda a garantir que os temas definidos estejam alinhados à realidade do negócio e aos direcionamentos da organização. Com a matriz aprovada e registrada, a empresa passa a ter uma base formal para comunicar seus temas materiais e desdobrá-los em planos de ação. 

Plano de ação

Com a matriz validada, o próximo passo é transformar os temas materiais em ações concretas. Essa etapa define como a empresa vai atuar sobre cada tema priorizado, estabelecendo iniciativas, responsáveis, prazos, investimentos necessários e resultados esperados.

A partir disso, os temas materiais passam a orientar decisões práticas da organização, conectando a agenda ESG às metas, aos indicadores e à rotina de gestão da empresa.

Como conectar a matriz de materialidade aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) funcionam como orientadores para que empresas, governos e sociedade avancem em direção a um futuro mais sustentável. No contexto das grandes companhias, eles ajudam a dar direcionamento à estratégia ESG e a conectar as prioridades do negócio a uma agenda global. 

Por isso, depois de definir os temas materiais, é imprescindível avaliar como eles se relacionam com os ODS mais relevantes para a empresa. Essa conexão deve partir dos temas identificados na matriz, e não de uma escolha genérica de objetivos. Ou seja, a companhia precisa entender se cada tema material tem relação direta com algum ODS prioritário para o seu negócio. 

Se a gestão de resíduos aparece como um tema crítico, por exemplo, ela pode ser conectada ao ODS 12, de consumo e produção responsáveis. A partir daí, a empresa consegue analisar quais metas desse objetivo fazem sentido para sua realidade e como pode incorporá-las à estratégia ESG, aos indicadores e aos planos de ação. 

Erros comuns ao construir e aplicar a matriz de materialidade ESG

Ao construir uma matriz de materialidade, alguns erros podem comprometer tanto a qualidade da análise quanto a forma como ela será usada na gestão ESG. Entre os principais, estão: 

Considerar apenas stakeholders internos: levar em conta somente a visão de lideranças e colaboradores pode limitar a análise e deixar de fora percepções importantes de clientes, fornecedores, investidores, comunidades e demais públicos.

Adotar temas “da moda”: é importante salientar que nem todo tema relevante no mercado será material para todas as empresas. A gestão da água, por exemplo, tende a ser central para uma companhia de bebidas como a Ambev, já que o recurso hídrico é essencial para sua operação. Já para a Ancar, que atua na administração de shopping centers, outros temas podem ganhar mais peso, como a gestão de resíduos. 

Tratar a matriz como um documento isolado: a matriz não deve ser feita apenas para cumprir uma etapa do relatório de sustentabilidade ou atender a uma exigência pontual. Depois de validada, ela precisa ser incorporada à gestão da empresa, orientando decisões, investimentos, metas e planos de ação relacionados aos temas materiais. 

Perguntas frequentes 

Confira perguntas e respostas comuns sobre a construção e aplicação da matriz de materialidade nas empresas. 

Com qual frequência a matriz de materialidade deve ser atualizada?

O especialista Alexandre recomenda que a matriz de materialidade ESG seja atualizada a cada dois ou três anos. No entanto, eventos extraordinários podem exigir uma revisão antecipada, como ocorreu durante a pandemia de 2020. 

Qual é a relação entre a matriz de materialidade e relatórios de sustentabilidade? 

A matriz de materialidade orienta o conteúdo do relatório de sustentabilidade ao indicar quais temas ambientais, sociais e de governança são mais relevantes para a empresa e seus stakeholders. A partir dela, a organização define quais informações devem ser aprofundadas e quais indicadores devem ser reportados, conforme a metodologia adotada, como a GRI. Assim, a matriz garante que o relatório tenha foco e coerência, em vez de ser apenas uma peça institucional ou de marketing. 

Qual é a diferença entre matriz de materialidade e dupla materialidade? 

A matriz de materialidade identifica os temas ESG mais importantes para a empresa e seus stakeholders, incluindo aqueles que podem impactar o desempenho, os riscos, as oportunidades e a posição financeira da organização. Já a dupla materialidade amplia essa análise ao considerar também os impactos que a própria empresa gera sobre a sociedade, o meio ambiente e a agenda climática. 

Quais empresas utilizam matriz de materialidade?

A matriz de materialidade é utilizada por empresas de diferentes portes e setores que desejam estruturar sua agenda ESG e seus relatórios de sustentabilidade com mais foco e consistência. Ela é especialmente comum em organizações que divulgam relatórios anuais, relatórios integrados ou relatórios de sustentabilidade, pois ajuda a identificar os temas mais relevantes para o negócio e para seus stakeholders, orientando prioridades, indicadores e compromissos. 

Quem deve participar da construção da matriz de materialidade? 

A construção da matriz de materialidade ESG deve envolver diferentes áreas da empresa e seus principais stakeholders, como colaboradores, lideranças, clientes, fornecedores, investidores, comunidades e outros públicos impactados pelo negócio. Essa visão ampla ajuda a tornar a análise mais representativa e alinhada à realidade da organização. 

Como fazer uma matriz de materialidade? 

Para fazer uma matriz de materialidade, a empresa deve mapear os temas ESG mais relevantes para o negócio, analisar sua importância para os stakeholders e avaliar como esses temas se relacionam com riscos, oportunidades e impactos da organização. A partir dessa análise, os assuntos são priorizados e organizados na matriz, servindo como base para a estratégia de ESG, definição de metas, indicadores e relatórios corporativos. 

 

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