As IFRS S1 e IFRS S2 são normas internacionais criadas para organizar, padronizar e dar mais consistência à divulgação de informações sobre sustentabilidade pelas empresas.
Na prática, elas ajudam o mercado a compreender como temas ambientais, sociais e de governança influenciam resultados financeiros, estratégias e riscos de longo prazo.
Com a agenda ESG cada vez mais presente nas decisões de investidores, reguladores e conselhos, essas normas surgem como um novo marco para relatórios de sustentabilidade.
Mais do que uma exigência técnica, elas representam uma mudança na forma como as empresas comunicam valor, riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade.
O que são as normas IFRS S1 e IFRS S2?
As IFRS S1 e S2 foram desenvolvidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), órgão ligado à Fundação IFRS, com o objetivo de criar um padrão global para divulgação de informações de sustentabilidade.
A proposta é simples: oferecer um modelo claro, comparável e confiável para que empresas relatem como questões de sustentabilidade afetam seu desempenho financeiro e sua estratégia.
A IFRS S1 trata dos requisitos gerais de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade. Já a IFRS S2 tem foco específico nos riscos e oportunidades associados às mudanças climáticas.
Por que as IFRS S1 e S2 são importantes para as empresas?
Antes dessas normas, os relatórios de sustentabilidade eram, muitas vezes, fragmentados, difíceis de comparar e pouco conectados às informações financeiras. As IFRS S1 e S2 surgem para resolver esse desafio.
Elas fortalecem a transparência, facilitam a comparação entre empresas e aumentam a confiança de investidores, financiadores e outros públicos estratégicos. Além disso, ajudam as organizações a integrar sustentabilidade à tomada de decisão, deixando esse tema menos isolado e mais conectado ao negócio.
Qual é a diferença entre IFRS S1 e IFRS S2?
Apesar de complementares, cada norma tem um foco específico. Acompanhe as diferenças abaixo.
O que a IFRS S1 exige?
A IFRS S1 estabelece a base geral para a divulgação de informações de sustentabilidade. Ela exige que as empresas expliquem como temas ambientais, sociais e de governança impactam sua posição financeira, seu desempenho e suas perspectivas futuras.
Entre os principais pontos estão:
- identificação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade;
- conexão dessas informações com as demonstrações financeiras;
- clareza sobre como a empresa integra sustentabilidade à estratégia e à governança.
O que a IFRS S2 exige?
A IFRS S2 aprofunda o olhar sobre mudanças climáticas. O foco está em como os riscos físicos e de transição afetam o negócio, além das oportunidades relacionadas à adaptação e à mitigação climática.
A norma solicita informações sobre:
- governança climática;
- estratégia diante de cenários climáticos;
- gestão de riscos relacionados ao clima;
- métricas e metas adotadas pela organização.
Quais empresas precisam se adaptar às IFRS S1 e S2?
A adoção das normas impacta diferentes tipos de organizações, ainda que em níveis distintos.
Empresas listadas e exigências regulatórias
Empresas listadas em bolsa tendem a ser as primeiras a sentir os efeitos das IFRS S1 e S2, especialmente por exigências de reguladores e do mercado financeiro. No Brasil, as normas passaram a ser obrigatórias a partir de 2026, com os primeiros relatórios sendo divulgados em 2027, o que tem levado muitas empresas a estruturar processos e dados para atender às novas exigências.
Impactos para empresas de capital fechado
Mesmo empresas de capital fechado podem ser impactadas, embora a adoção das normas não seja obrigatória para elas. Isso porque bancos, fundos e investidores já começam a exigir informações alinhadas às IFRS S1 e S2 como critério para concessão de crédito ou investimentos.
Cadeias de valor e exigência de investidores
Empresas que fazem parte de cadeias de valor de grandes organizações também sentem essa exigência. Fornecedores e parceiros passam a ser solicitados a fornecer dados de sustentabilidade mais estruturados, alinhados às novas normas.
Principais requisitos das IFRS S1 e S2
As duas normas seguem uma lógica comum, organizada em quatro pilares principais.
Governança
As empresas devem explicar como a liderança e os conselhos acompanham temas de sustentabilidade e clima. Isso inclui responsabilidades, processos de supervisão e integração desses temas à tomada de decisão.
Estratégia
Aqui, o foco está em como os riscos e oportunidades de sustentabilidade influenciam a estratégia da empresa no curto, médio e longo prazo. Também entram análises de resiliência do modelo de negócio diante de diferentes cenários.
Gestão de riscos
As normas exigem que as empresas detalhem como identificam, avaliam e gerenciam riscos relacionados à sustentabilidade e ao clima, além de como esses processos se conectam à gestão de riscos corporativos.
Métricas e metas
Por fim, é necessário apresentar indicadores, metas e resultados que ajudem a acompanhar o desempenho da empresa em relação aos temas divulgados, sempre com consistência e comparabilidade.
Relação das IFRS S1 e S2 com ESG e outras normas
As IFRS S1 e S2 estabelecem um padrão para a divulgação de informações de sustentabilidade, organizando e dando maior consistência a práticas já utilizadas pelas empresas.
Integração com ESG
As normas reforçam o pilar de governança e conectam os temas ambientais e sociais à performance financeira. Isso contribui para uma abordagem mais madura e integrada do ESG.
Conexão com TCFD, SASB e GRI
As IFRS S1 e S2 dialogam com frameworks já conhecidos, como TCFD, SASB e GRI. A ideia é reduzir a sobreposição de relatórios e facilitar a harmonização das informações divulgadas.
Harmonização dos relatórios de sustentabilidade
Com padrões mais claros, as empresas conseguem produzir relatórios mais consistentes, comparáveis e úteis para o mercado, evitando excessos de informações pouco relevantes.
Quais são os benefícios da adoção das IFRS S1 e S2?
A adoção dessas normas vai além da conformidade. Acompanhe abaixo os principais benefícios!
Transparência e confiança do mercado
Relatórios mais claros fortalecem a credibilidade da empresa e melhoram o relacionamento com investidores, clientes e parceiros.
Acesso a investimentos e capital
Empresas alinhadas às IFRS S1 e S2 tendem a ter mais facilidade no acesso a capital, especialmente em linhas voltadas à sustentabilidade e finanças responsáveis.
Melhoria da gestão de riscos
Ao estruturar informações sobre sustentabilidade e clima, a empresa passa a compreender melhor seus próprios riscos e oportunidades, fortalecendo sua estratégia de longo prazo.
Como iniciar a implementação das IFRS S1 e S2?
Implementar as IFRS S1 e S2 não envolve apenas preparar relatórios, mas também organizar processos e informações. De modo geral, a implementação pode ser conduzida em etapas estruturadas:
Diagnóstico e análise de lacunas (gap analysis)
Mapeamento da situação atual da empresa em relação aos requisitos das normas, identificando dados já disponíveis, processos existentes e pontos que ainda precisam ser desenvolvidos.
Avaliação de materialidade
Identificação dos temas de sustentabilidade mais relevantes para o negócio, considerando quais impactos podem se traduzir em riscos ou oportunidades financeiras e, portanto, precisam ser divulgados.
Análise de riscos climáticos
Levantamento e avaliação de riscos físicos e de transição relacionados ao clima, bem como das oportunidades associadas, em linha com os requisitos da IFRS S2.
Governança e controles
Estruturação de processos, responsabilidades e controles internos para garantir a qualidade das informações, a rastreabilidade dos dados e a consistência dos relatórios ao longo do tempo.
Exemplo de relatório em conformidade com as normas IFRS S1 e S2
Mesmo antes da obrigatoriedade regulatória, algumas empresas já começaram a adotar as normas IFRS S1 e S2 de forma antecipada. A Lojas Renner S.A., por exemplo, publicou em 2024 um relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade em conformidade com as normas, antecipando-se às exigências que passaram a valer posteriormente.
Esse tipo de adoção antecipada permite que as empresas ganhem experiência na coleta e organização de dados, ajustem processos internos e se preparem com mais segurança para as exigências regulatórias.
Acesse o relatório completo da Lojas Renner e confira um exemplo real de divulgação em conformidade com as IFRS S1 e S2.
Agora que você já entende o que são as IFRS S1 e S2 e por que elas são importantes, descubra neste conteúdo: “Quais são as certificações ESG mais importantes para empresas?”.